
Sol a pino segue a esmo o sertanejo.
Leva esperança no alforje
a alegria na algibeira
na sombra do Juazeiro
deita os seus sonhos na rede
deixa o vento balançar!
As mãos calejadas de duras jornadas
São virtudes forjadas no seu coração!
Tem braços fortes, não teme ao cansaço
Caminha sem pressa, com os pés no chão!
Se a tristeza insiste em lhe acompanhar
Ele deita na rede e aprecia o luar
Ouve o cantar dos passaríamos
varando o silêncio do lugar!
O sertanejo vive à míngua
Sem chuva e sem o que plantar
No brilho de sua enxada
— sobrevive ao Deus-dará!
Padece sem sentir a terra molhada.
Sem ver no tempo a viração
que sopra boas, semente
para fazer a plantação!
No mar de tanta peleja
— dos homens sem coração.
Maldizem do sertanejo
— sem conhecer o sertão!
O sertanejo sobrevive
Em meio a saga do sertão!
Nice Veloso.