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terça-feira, 7 de julho de 2015

O Bicho. Este poema de Manuel Bandeira, desde que li, jamais o esqueci. É o retrato da miséria humana!

Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem

(Manuel Bandeira) 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A CASA DE PEDRA

Lindo poema! Casa de Pedra. De Pedro Luso de Carvalho. Me fez viajar na tentativa de encontrar a menina que um dia partiu.... Me lembro do barco partindo no mar solidão, Viajando no infinito do meu coração. Levando a menina e seus sonhos que um dia jurou. Ver o mundo em harmonia cantando Blues and Rock’in roll.... É preciso louvar a vida. É preciso acreditar no amor.... Aquela criança, os nossos sonhos, não podem perecer. 


Paro por algum tempo, não sei quanto,
em frente a velha casa, escondida
entre altos prédios e tantos palacetes.


Passaram-se anos e anos, e retorno
agora a antiga casa, feita de pedra
– abrigo e conforto da minha infância.


Como ficou pequena a casa de pedra!
Não parece ser a casa da minha infância 
-reino de brinquedos e de risos.


Qual lufada de vento minuano,
entro na velha casa de pedra.
Encontrarei nela a criança que fui?


Posso, homem com tantos caminhos
andados, retomar o lugar da criança?
– Meus músculos limitam espaços.


Falta-me fôlego, apertam-me garras
no peito, que expande macabro chiado. 
Ave de rapina arrebatara o menino.